“Lembra-te de santificar o dia de sábado.”.
Bom, até que enfim. Um mandamento com sentido e que é provavelmente o mais praticado de todos. Aleluia!
Para mim, a rave em que tudo isto aconteceu foi numa terça-feira. Vai daí, Deus passou-se. É que eu imagino um gajo a ter que se levantar cedo no dia a seguir, para ir para a carpintaria bulir (acho que tinha uma remessa de móveis para entregar na sexta, e aquilo andava atrasado) e ser obrigado a estar até às tantas da manhã a dar mandamentos ao pessoal. Tudo a curtir, a beber, com grandes mocas, e Ele ali, todo lixado, cheio de sono, à espera que Lhe dessem atenção. “Ai ele é isso? Então esperem aí que acaba-se já esta merda. A partir de agora começam a curtir ao sábado, que a mim já não me fodem!”. E tunga, prega-lhes com esta do sábado. O pessoal, tudo bem. E desde então é só curtir. Agora, na minha opinião, a coisa ficou curta. Porque é que ele não se lembrou de dizer: “Lembra-te de santificar o dia de sábado, com folga antes e descanso no dia a seguir, e dia livre para preparação antes e depois de cada folga.”. Tinha sido muito melhor. Mas tudo bem, até lhe dou razão. É que os ajudantes da carpintaria começaram a aparecer de manhã com grandes ressacas nos cornos e a partir de certa altura nunca chegavam a horas. Não é fácil ser patrão.
Realmente esta coisa da carpintaria devia ser complicada de gerir. Um gajo tem que fazer as entregas, ainda por cima de carroça, fazer os móveis e ainda andar preocupado em ser Deus. Onde é que estavam os sindicatos? Como é que um gajo é patrão e Deus ao mesmo tempo? Quer dizer, Ele podia ter feito os mandamentos em seu próprio benefício.
Não está provado, mas diz-se que já na altura, quando ele falou neste mandamento do sábado, se levantou imediatamente um gajo no meio da molhada, de blazer de fazenda aos quadrados e com uma camisa sem gravata, de punho no ar a dizer que tudo aquilo não passava de uma manobra do patronato para enganar a classe operária, que a luta ia continuar e que se não se acabasse com aquela exploração da mão-de-obra, na semana seguinte se faria uma greve com manifestação em frente à porta do palácio do imperador. Não se soube mais dessa criatura desde então. Hoje ainda subsistem alguns seguidores desse homem, desconhecido, mas em número muito pequeno e com tendência a desaparecer. Fazem parte de uma raça em extinção, tal como aqueles que sabem o nome de todos os rios e caminhos de ferro de Angola.
Mas passando ao que importa, a ideia de santificar o dia de sábado acabou por ficar marcada na história com uma tela que retrata exactamente o que Deus queria dizer.
Na primeira oportunidade, o filho d’Ele juntou uns amigos e fez um festão num restaurante lá da terra. Estava tudo na rambóia e na galhofeira quando um pintor que ia por ali a passar se lembrou de fazer um quadro daquilo. Consta que era um contratado da oposição incumbido de arranjar provas sobre para onde ia o dinheiro que o povo pagava de impostos. Ao que parece, o filho do tal Deus era um grande maluco e estoirava a guita toda em festas e com gajas. Ainda hoje, em homenagem a esse tempo, os padres bebem um copo nas missas. Esse pintor acabou por entregar o quadro aos elementos da oposição, que com essa prova na mão resolveram prender o filho do Deus. Os amigos que estavam na festa debandaram e nunca mais se soube deles. Um, soube-se depois, acabou por se matar, enquanto curtia uma tripe. Outro tentou fugir com uma tipa que o filho do Deus andava a papar, de nome Madalena.
À conta deste episódio, a carpintaria fechou, os empregados ficaram sem emprego e um empresário que andava atrás do filho do Deus, para promover espectáculos de habilidades com pães, desistiu do negócio. Até hoje, ficou um ritual que o tal filho costumava fazer durante as festas de arromba, que consistia em despejar champanhe pela cabeça abaixo do pessoal. Hoje é com água, pois o preço do champanhe subiu desmesuradamente desde então.
Enfim, há quem conte a história de outra maneira, mas esta é provavelmente a mais credível. Quanto ao sábado, aleluia ao Senhor. Ao menos lembrou-se de uma cena de jeito.
“Não pronunciarás em vão o nome do Senhor, teu Deus.”.
Ora este mandamento é ainda mais parvo. Então um gajo está a dar mandamentos para a humanidade seguir e regular a sua vida e não se lembra de nada mais importante do que isto? Não podia arranjar um mais giro, tipo: “Não te zangarás com o teu marido se ele tiver um caso com uma gaja mais nova e melhor.”. Este sim, era um mandamento porreiro. Ou “Não cobrarás a cerveja quando alguém te pedir uma.”.
É que eu já nem peço um do tipo: “Matarás à pedrada os cantores pimba que surgem no mercado como borbulhas na cara de um adolescente.”. Tudo bem, já nem vou a isso, mas realmente qual é o interesse de impedir as pessoas de pronunciar o nome d’Ele em vão? Para já, devia pelo menos definir o que é “em vão”. Se eu disser “Valha-me Deus!” quando vejo uma gaja boa é em vão? Quando me cobram dois euros por uma bejeca num bar e eu digo: “Dois euros?!? Meu Deus!” também é em vão? Para mim não. Por exemplo, quando eu vejo o casal Castelo Branco / Graffstein derreter milhares em merdices enquanto há gente a passar fome, não posso dizer: “Valha-nos Deus!”? E quando aparecem boys bands a cantar não posso dizer: “Deus vos ajude…”?
Isto é em vão? Ou o que Ele queria dizer era o sentido físico de “vão”? Como “vão de escada”? Num vão de escada não se pode dizer Deus? Mas também, quem é que vai dizer isso num vão de escada? Só se for uma gaja que esteja em interacção com um africano e a meio diga: “Ai meu Deus, é enorme!”.
Este mandamento é totalmente desnecessário, na minha opinião. E depois há esta mania de falar na terceira pessoa, como o Jardel. Ele podia dizer: “Não pronunciarás o meu nome em vão.”. Qual era o problema? E a cena de tratar toda a gente por tu?
Já fumámos alguma ganza juntos ou andámos à escola, por acaso? Um bocado esticado, não?
Resumindo, gastou um mandamento numa coisa de merda. E logo o segundo, que foi na altura em que ainda havia lá gente para o ouvir. Sim, porque quando o pessoal começou a perceber a onda do bacano começou a bazar, de certeza. Deviam ter coisas mais importantes para fazer. Eu acho que eles nem o deviam perceber. Em que língua é que ele falava? E mesmo que percebessem, quem daqueles desgraçados sabia o que é que quer dizer “pronunciarás”?
Continuo na minha, estes mandamentos não me convencem…
Tudo bem, podem-me dizer: “Ah mas ó Pikes, então porque é que escreves em letra maiúscula quando te referes a Deus?”. E eu respondo: “Porque não quero ferir susceptibilidades. E além disso eu escrevo o que eu quiser, não me chateiem os cornos!”.
Ora o primeiro mandamento é desde logo muito infeliz.
“Não terás outros deuses, nem farás imagens deles para as adorar.”.
Vão-me desculpar, mas isto é de uma total insegurança pessoal. Então um Deus vem dizer que não podem haver outros? Qual é a moral deste tipo? E para não dizer que é de uma tirania absoluta (oops, era para não dizer…). Imaginem se agora, por exemplo, um político, só para citar um género de orador para as massas que dá tangas, começava os seus discursos a dizer: “Não terão outros ideais e não podem votar em mais ninguém.”. Não lhe achavam muita piada, pois não?
É certo que na vida real existem frases deste género, mas normalmente são citadas por namorados ciumentos. Então Deus é ciumento? Imaginem-no a chegar a casa e a dizer à mãe como foi o seu dia:
- Olá filhote. Então como correu o teu dia hoje, lá na escola divina?
- Muito mal, mãezinha.
- Muito mal?! Então? Não me digas que os outros alunos te bateram? Já sei, foi aquele malvado do Buda, não foi? Eu já sabia, como é mais gordo tem a mania que bate nos mais pequenos!
- Não mãe, não foi nada disso.
- Então? Foi outra vez o Alá que levou as virgens lá prá escola para te provocar?
- Não mãe. Estou só chateado. É que os outros alunos também têm seguidores.
- Ai filho, não te preocupes. Um dia hás-de chegar a Deus e depois já podes proibir as pessoas de gostarem de outros e obrigá-las a gostar só de ti.
- E depois se eles fazem estátuas ou desenhos de outros deuses?
- Proíbe-os também! Vais ver filho, um dia vais ter uma horda de gente a trabalhar para ti e a obrigar as pessoas a gostar de ti. E vais ver que, com um bocadinho de sorte, essas pessoas ainda hão-de castigar os malvados que tiverem outras ideias que não sejam gostar só de ti!
- Juras? Juras que vou poder mandar em tudo e castigar quem não gostar de mim?
- Juro filho. Até os padres, que supostamente são bonzinhos, vão queimar quem não gostar de ti…
- Ai, valha-me eu…Eu te ouça…
E pronto, foi assim que surgiu o primeiro mandamento. Só pode. Senão como é que um Deus infinitamente bom tinha ideias destas? De tirano?
Por isso é que depois veio a tal ideia de que os reis eram os representantes de Deus na terra. Porque também eles tinham a birra de “Só eu é que mando e quem não gostar de mim ganha uma coleira feita de corda…”.
Se estes mandamentos eram para melhorar a vida, a evolução está toda errada. Andámos a combater as tiranias, as imposições ideológicas e a própria inquisição, e afinal estávamos a fazer tudo mal? Vai-se a ver, e os nazis é que estavam a fazer bem…Estavam a seguir a ordem de Deus.
Assim sendo, o primeiro mandamento cai por terra enquanto linha de orientação para um mundo melhor.
E quanto a fazer imagens de outros, existem milhares de pessoas que não respeitam essa ordem. Vejam-se as lojas de móveis indianas, todas com a fotografia daquele gajo careca e com sorriso de “votem em mim”.
Já agora, quem é esse gajo? Popularzinho, hã? Mais que Deus, porque fotografias d’Esse eu nunca vi em loja nenhuma.
Em seguimento, vem a parte em que a conversa, ou melhor, o discurso, começa.
Ora tendo então em conta que o pessoal estava numa rave, seria tipo isto:
- EU SOU O SENHOR, TEU DEUS…
- YEESSSS!!! WUUUUHUUU!! Dá-lhe, ganda maluco!!
- SILÊNCIO! EU SOU O SENH…
- TUM! TUM! TSSS! TSSS! Tárárárá!! YEEESSS!
- ATENÇÃO! EU SOU…
- Foda-se, anda lá com essa merda! Dá-lhe som!
- VÓS NÃO SABEIS COM QUEM FALAIS! EU SOU O SENHOR, TEU…
- Mas este sócio não fecha a matraca, man?! Onde é que foi o DJ que estava aqui? E o cabrão que nos trouxe práqui? Estraga festas do caraças!
- Sei lá, man. Queres meter uma?
- Ya! Vou só comprar uma garrafinha d’água.
- ESCUTAI-ME! NÃO ME VIREIS AS COSTAS, MEUS FILHOS! EU VOU DAR-VOS OS MANDAMENTOS PARA A VIDA!
- Vai dar o quê?!
- Não percebi. Acho que é t-shirts de manga comprida…
- Baril. Bora lá buscar uma.
- AH MEUS FILHOS. EIS QUE VOLTAM.
- Manda a t-shirt! Pra mim! Pra mim!
- Práqui, ó palhaço! Manda uma pra mim!!
- DESCULPAI, MEUS FILHOS?
- Foda-se, já não tem.
- Palhaço!!
- Bora, vamos lá às aguinhas.
- IDE DE NOVO E FICAREIS DESERDADOS!
- O quê?
- Diz que agora vai dar rebuçados…
- Caguei prós rebuçados.
- MEUS FILHOS E FILHAS…
- Olha! Olha! Agora é pastilhas!
- Baril! Ganda maluco!!
Portanto, daqui podemos depreender duas coisas. Primeiro, que seria impossível alguém lá ficar a ouvir, e segundo, que o pessoal que mete pastilhas nas raves fica surdo como o caraças.
Bom, mas na situação fictícia de alguém lá ter ficado a ouvir, seguiram-se os mandamentos.
Em análise de fundo ao decálogo (a lista dos dez mandamentos, para os que, como eu, se perguntam: “O que é essa merda?!”) fui atingido, qual árvore isolada no meio de um campo de papoilas (árvores nos campos de papoilas?!?) por um raio carregado de dúvidas.
Ora vejamos toda a passagem que leva aos dez mandamentos:
“Todos se atemorizaram. Moisés levou os israelitas para junto da montanha e o Senhor promulgou o decálogo:
Eu sou o Senhor, teu Deus:
I - Não terás outros deuses, nem farás imagens deles para as adorar.
II – Não pronunciarás em vão o nome do Senhor, teu Deus.
III – Lembra-te de santificar o dia do sábado.
IV – Honra teu pai e tua mãe para viveres muito tempo sobre a terra.
V – Não matarás.
VI – Não cometerás adultério.
VII – Não furtarás.
VIII – Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
IX – Não cobiçarás a mulher do teu próximo.
X – Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo ou serva, nem o seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.
O povo tremia de medo. Todos disseram: “Faremos o que o Senhor mandou e seremos fiéis”. Por ordem de Deus, Moisés tornou a subir ao Sinai e lá ficou 40 dias e 40 noites.
Então o Senhor deu-lhe os dez mandamentos, escritos por sua mão, em duas tábuas de pedra.”
Desmembrando esta passagem, cheguei à conclusão que tudo isto é apenas um golpe de propaganda por parte de alguém que quer promover uma criatura, neste caso, Deus.
No entanto, através de um chorrilho de tangas ou então de coisas que todos sabemos e que não era preciso um Deus para nos ensinar.
Começando por “Todos se atemorizaram…”, eu pergunto: Porquê? Porque é que se atemorizaram?
Também diz que Moisés levou os israelitas para junto da montanha. Ora se Moisés os levou e eles estavam atemorizados, o que é que se passou? Moisés estava armado? E se estava armado, ninguém tentou nada? É que o Moisés era só um e os israelitas são uma data deles. Não me venham dizer que tinham medo da arma porque todos sabemos que os israelitas são marados e não têm medo de ninguém, basta ver o tempo que passam à guerra com os outros. Aqui começa logo a incongruência…
Depois levou-os para junto da montanha. Para quê? Desculpem lá, mas se um bacano viesse ter comigo e dissesse: “Pessoal, tá tudo a bazar prá montanha!”, eu só ia se estivesse numa rave no meio do mato, com uma “granda” jarda nos cornos e o som estivesse a bombar. Mesmo assim, ninguém o ouvia. Mas tudo bem, vamos supor que era esse o caso. Mal o tal Senhor começasse a falar, o pessoal ficava à toa. “Então man, param a música para este sócio falar?! Qual é a vossa?! Tragam mas é o DJ Táce Náiss!”. Ou então, se a música parasse de repente, muitos podiam achar que vinha aí a bófia e fugiam. Continua a ser tanga, para mim…
Mais, não me digam que ninguém teve a lucidez de ir espreitar e ver se não era algum maluco com um megafone que estava escondido na montanha a dizer aquelas baboseiras…
Guardo os mandamentos para outro Smile.
Eu sempre ouvi dizer que existem cerca de sete mulheres para cada homem, mais perna, menos braço.
Ora isto é um facto que não me agrada nada. Agora podem-me dizer: “Ah, mas ó Pikes, então se não te agrada, és um bocado roto.”. E eu respondo: “Roto é o grande paneleiro que te fez as orelhas, meu abafa-palhinhas!”. Bom, adiante. Passo a explicar o porquê deste meu desagrado. É que se existem sete mulheres para cada homem (algumas estatísticas falam em sete e meia, mas a meia eu dispenso, obrigado), porque é que só podemos ter uma? É pertinente colocar-se esta questão. Senão vejamos: Quem supostamente fez o mundo foi Deus, o que não abona muito a favor Dele, diga-se, e nesse caso, foi ele que arranjou esta média. Então se foi Ele que fez o mundo com mais mulheres do que homens, algum propósito Lhe passou pela cabeça. A rambóia! A paródia! O que mais senão isso? Grandes maluquices entre um homem e sete gajas! Isto sim, era festival. Melhor só mesmo se além disso as cervejas nascessem nas árvores, já fresquinhas. Mas está bem, também era abuso…
Até aqui, porreiro. Deus é grande!
Mas depois vem a porcalhice! É que o Tipo que nos dá este bónus, é o mesmo que depois vem dizer que devemos ser fiéis e não cobiçar a mulher do próximo.
Mas como é que nós sabemos que a mulher é do próximo? Se calhar é uma das nossas. Mas pior ainda, obriga-nos a casar e proíbe-nos de cobiçar o que quer que seja. Não se faz. Mais valia existirem sete homens para cada mulher. Ao menos assim quando um gajo se orientava já estava descansado, porque para arranjar uma já seria complicado, quanto mais preocupar-se com outras.
Os muçulmanos é que foram espertos. “Ai sim? Ai dão-nos sete mulheres e depois dizem que só podemos ter uma? Então vamos arranjar outro Deus para nós e fazemos nós as nossas próprias regras!”. E pronto, podem ter um carradão de mulheres e está tudo bem. Galhofeira à fartazana! Claro, tem os seus incovenientes. Sete mulheres implicam sete sogras…Não hão-de eles se tornarem bombistas suicidas!
Eu proponho aqui uma nova religião, em que não só podemos ter as mulheres que quisermos, como ainda temos o direito de não ter sogras.
O mais difícil vai ser fazer as bejecas nascerem nas árvores, mas não se pode ter tudo.
Por outro lado, tenho que reconhecer que talvez haja uma razão para esta história das sete mulheres para cada homem. Já viram alguns coirões que por aí andam? Olha se só existisse uma mulher para cada um? Alguém tinha que ficar com os catramolhos. É um tema que exige reflexão. Vou ter que pôr no prato da balança os prós e os contras para depois então fazer a minha lista de mandamentos.
Eu tenho, confesso, uma certa preocupação com algumas coisas que às vezes passam despercebidas.
Ora eu pus-me a pensar sobre um herói e cheguei à conclusão que não passa de mais uma manobra para enganar os fracos e oprimidos.
O Daredevil (Homem Sem Medo…) é de facto uma tanga. Vão-me desculpar a franqueza, mas este gajo é herói porquê?
É que normalmente os heróis destinguem-se dos demais cidadãos pelos seus poderes especiais, habilidades fora do comum, ou mais que não seja por serem descomunalmente grandes e fortes e assim poderem dar cabo dos maus à porrada.
Mas neste caso, onde é que estão os poderes? As habilidades? Tudo bem, podem-me dizer: “Ah, mas ele salta que se farta.”. E então? Também o Sergei Bubka e não é nenhum herói.
Mas o mais impressionante é que grande parte dos heróis têm uma capacidade qualquer relacionada com a visão. Ou vêem no escuro, ou têm visão raio-x ou então conseguem ver até muito longe. Este é cego! Cego! Como é que um gajo cego pode ser herói?! O gajo não vê! Quer dizer, ele vai para salvar alguém e não vê. Não só não tem nenhum poder de visão, como ainda a vítima tem mais capacidades que ele. Então eu estou a ter um problema com um vilão qualquer que quer dominar o mundo, peço ajuda e aparece-me um cego? Imaginem:
- Socorro!! Socorro!!
- Ahá, alguém precisa de mim! Calma, indefeso jovem, já vou a caminho!
- Oh, graças a Deus, algum herói me ouviu!
- Oh não, vem aí um herói, vou ter que fugir!
- Tcham, tcham, cá estou eu! Toma lá, seu ignóbil bandido!
- Olhe, desculpe, ó senhor de fato de cabedal vermelho até aos pés e coladinho ao corpo…
- Sim?…
- Porque é que o senhor entrou aqui no hospital e está a desancar o cirurgião a meio de uma operação de vida ou morte?!
- Aham….Como?… Acho que foi engano…
- Oh meu Deus, o paciente entrou em fibrilação! Rápido, 200 cc de antifibriloccina!
- Oops…
Este pode muito bem ser o resultado de termos um herói que não vê. Já não chega termos heróis sem poderes, tipo o Fantasma? Agora começam a retirar cada vez mais poderes aos heróis, é?
É que se já chegámos a isto, o que é que se segue? Heróis de cadeira de rodas? Tipo o Rodinhas Fantástico? Ou heróis com Alzheimer? O Homem Babão? Ou até mesmo com Parkinson, o Tremeliques Temível?
Eu proponho que se faça circular na internet um abaixo assinado a condenar este tipo de situações. Não posso arriscar um dia estar a precisar de um herói e aparecer-me um gajo sem braços a gritar: “SAIAM DA FRENTE QUE EU MATO-OS TODOS À CABEÇADA!!!”. Há limites, e eu acho que o Daredevil é a gota de água que faz transbordar o copo.
Depois temos ainda as questões legais. Será que a ACAPO está ao corrente desta situação? Será que o Daredevil pode ir ao estádio de Alvalade de borla? Pois é…
Ainda pensei em permitir esta entrada na tabela “Os Cinco Heróis Mais Estúpidos do Mundo”, mas aqui não se pode aplicar essa designação. Aqui é mais “Os Cinco Heróis Mais Desgraçadinhos do Mundo”.